Água, bem precioso!!



  Imagem  Charles Rondeau



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Naquele momento, aquela poça de lama era a melhor coisa que eu poderia visualizar, sabe quando você está perdendo a esperança e do nada aparece uma solução, uma luz? Foi assim que me senti.

Não vi o lado ruim daquilo, não dei importância para a vaca morta e cheia de bichos saindo dela, não liguei para a cor daquela água, só pude me ajoelhar para beber e agradecer.

Tivemos um pouco mais de esperança e forças para caminhar o resto do dia, durante a caminhada encontramos uma frutinha amarela, que tinha bastante líquido, e alguns pequis, foi nosso alimento e "água", durante alguns dias, não conseguimos mais encontrar o rio, minha mãe estava perdida, mas chegamos em algumas casas, pedíamos comida, água e seguíamos em frente.

Eu quando chegava em alguma cidade, queria ficar, não queria mais andar, não queria mais enfrentar o mato e andar tanto, mas minha vontade não contava e eu não enfrentava minha mãe.

Depois de 02 meses andando, já sabíamos nos virar, regrar comida, comer frutinhas, mas alguns dias eram extremamente difíceis de continuar.

Em um desses dias, estávamos sentados em uma estradinha de terra, eram aproximadamente umas 10 horas, (havia aprendido a me orientar pelo sol), estávamos fracos de fome e sede, minha mãe nos mandou ficar sentados e disse que ia dá uma olhada ao redor, vê se encontrava uma casa próxima ou algumas frutas, ficamos lá, já passava de meio dia e nada da minha mãe voltar, então vejo um bicho vindo em minha direção, era uma cobra, ela veio bem perto, eu fiquei em pânico e não consegui me mover, mas logo ela se afastou, eu puxei meu irmão pelo braço, saí correndo puxando ele e tentei encontrar minha mãe.

Mesmo fracos andamos bastante, então ao longe vejo um teto, era uma casa!! Meu coração disparou de alegria, eu não podia acreditar que tinha uma casa ali, naquele fim de mundo, quando cheguei fiquei com um certo medo de bater na porta, e se quem morasse ali fosse alguém mal? Voltei com meu irmão para o mato e mandei ele ficar escondido no mato, disse que se alguma coisa acontecesse, se eu não voltasse, era para ele voltar para onde estávamos antes, ensinei o caminho, e fui em direção a casa, bati na porta, chamei, mas ninguém respondeu, fui nos fundos e vi o paraíso, um tambor cheio de água!! Olhei pelo buraco da porta e pelas janelas e vi que não havia ninguém, fui buscar meu irmão e bebemos água até não aguentar mais, percebi que a porta dos fundos da casa estava só encostada, entrei com certo medo, respirava devagar, mas com uma boa olhada pude perceber que não havia ninguém.

Tinha uma geladeira, abri, tinha muita comida, mas algo não me deixou pegar, achei que não seria certo, mesmo com muita fome, não pegamos nada da casa, eu já havia visto alguns meninos de rua (conhecidos como trombadinhas) que roubavam apanhando muito nas ruas, ou de comerciantes ou de policiais, eu senti que se eu pegasse era errado, não sei se foi por isso que não peguei, ou se foi por medo de apanhar da minha mãe caso roubasse, não sei, mas resisti bravamente.

Tomamos um banho gostoso com aquela água do tambor, eu devia estar podre, dias sem tomar banho e lembrando que não havia sido apresentada a escova de dentes!

Bom depois de aproveitar ao máximo aquela água, enchemos uma vasilha que tinha no quintal e levamos conosco, voltamos para onde nossa mãe havia nos deixado, olhei para todos os lados, pois a visão daquela cobra me assustou muito (até hoje tenho pavor), então o sol estava indo embora e nada da minha mãe voltar.

Estávamos com fome e medo, e se tivesse acontecido algo? Fiquei com muito medo, eu queria muito minha mãe! (continuação em breve)
Água, bem precioso!! Água, bem precioso!! Reviewed by Anna Vlis on 16:26 Rating: 5

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