Algumas dores marcam para sempre, fome é uma delas



passei fome

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O sol estava indo embora, eu com fome e muito medo, não parava de pensar na cobra, na noite que chegava e no que poderia ter acontecido com minha mãe, e se ela tivesse caída em algum lugar morrendo de sede?

Peguei meu irmão, levantamos e começamos a ir em direção para onde ela tinha ido, então eu a vi e senti um alivio tão grande, uma sensação mais forte do que beber aquela água quando se estar horas com sede, corremos para ela, ela também estava molhada e vinha com as mãos cheias de comida!!

Ela também havia encontrado aquela casa, mais ao contrário de mim, ela pegou a comida,  estava com tanta fome que nem pensei se era errado ou não, comi com muito prazer!

Mas nossa jornada não acabara, já quase 03 meses, e nada de chegar em Manaus, e as casas ficavam cada vez mais longe, não estávamos nem próximos do rio e nem de estrada grande, em um trecho minha mãe decidiu que seria melhor pelo mato, tinham mais frutas, mas este caminho que ela seguiu não tinham tantas frutas e nem casas, ás vezes passávamos dias sem ver um ser humano.

Estávamos extremamente magros, queimados do sol, sujos, fracos, com muita fome e  sede, então chegamos em uma  estradinha de terra, passamos algumas horas tentando vê para qual direção os carros iam, olhando as marcas dos pneus no chão, mas não, não conseguimos, então ficamos sentados na beira da estrada.

Eram  umas 15 horas, quando vimos um senhorzinho vindo em sua bicicleta, vê uma pessoa aquela altura era maravilhoso!

Eu corri para a direção dele que se assustou, parou, olhou ao redor, quando viu que eram somente eu, minha mãe e meu irmão ele desceu da bicicleta (eu parei na sua frente), disse boa tarde, eu disse que já estávamos uns 02 dias sem comer e 01 sem beber, ele disse que ia na frente, pedir a mulher dele para fazer a comida e nos explicou como chegar, senti medo de perder aquele senhor de vista, mas eu não conseguia acompanhar a bicicleta.

Prestei bastante atenção quando ele ensinou e seguimos sua indicação, depois de uns 20 minutos andando (estávamos fracos e andando devagar), vimos sua casa, e sua sorridente esposa, ela disse que a comida estava no fogo, mas que tinha mandado os filhos pegar mangas para nós.

Lembro bem quando eles chegaram com aquele saco de estopa cheio de manga, comemos a metade, devorávamos com muito gosto cada manga, com rapidez e um certo desespero, então veio a comida, comemos  tanto que doía a barriga, mas aquela dor era ótima, poucas vezes na vida eu havia sentido aquela dor de barriga cheia.

Depois de algumas horas, já estava escuro, mas minha mãe queria continuar andando, seguir viagem.

Os donos da casa disseram para ela que a próxima cidade para o rumo que ela queria ir era Uruçuí , que de onde estávamos para Uruçuí eram semanas de caminhada sem casas, nem plantas frutíferas, iriamos morrer, que estávamos próximos de uma cidade chamada Barragem da Esperança (ou algo assim) e que devíamos ficar por ali, mas minha mãe não se deixou convencer, ela queria ir para seu paraíso, queria chegar em Manaus, com muita luta convenceram minha mãe a dormir por lá, mas ela disse que não ia dormir dentro da casa deles, que a gente se ajeitava no mato mesmo, eles conseguiram convencer ela a deixar meu irmão dormir na casa, mas eu e ela dormimos no mato, eu fiquei com raiva, por que meu irmão podia dormir em uma rede e eu não? Bom, não teve  conversa.

Logo cedo, mal tinha clareado e um dos filhos da dona da casa, saiu em sua bicicleta rápido.

Minha mãe logo levantou e foi pegar meu irmão, queria sair imediatamente, continuar viagem, eles conseguiram convencer ela a ficar para tomarmos café, puxaram conversa e depois de algum tempo chega um carro de polícia, eles haviam chamado (o filho que saiu cedo), eu me escondi atrás da minha mãe, toda vez que um policial chegava perto de um morador de rua era rude, fiquei com medo, mas eles chegaram com calma e perguntaram para minha mãe para onde ela estava indo, ela disse, do seu jeito, falando tudo junto, até eu tinha dificuldade de entender, ela disse que ia dar fartura pra gente, sentir fome doía e nunca mais íamos sentir.

Nos mandaram entrar no carro da policia, estávamos sendo presos? Por quê? (continuação em breve)

Algumas dores marcam para sempre, fome é uma delas Algumas dores marcam para sempre,  fome é uma delas Reviewed by Anna Vlis on 07:16 Rating: 5

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