Cinema: Amor à primeira vista!


Como disse no post anterior, tinha perdido minha grande alegria que era ler minhas revistinhas mas encontrei um novo amor!
O cinema, eu sempre pedia esmolas na frente do Cine Rex, um dia estava lá na porta, pedindo minhas esmolas, tinha pouca gente na fila, estava fraco o movimento, o que acontecia em dias da semana pois final de semana sempre era lotado.

quando surgiu meu amor pelo cinema


Quando um senhor, que trabalhava no cinema, com um olhar bondoso me perguntou se eu não queria entrar, confesso que não acreditei, as pessoas me queriam longe, muitas me davam esmola só para sair logo de perto delas, eu claro aceitei.

Procurei ficar bem longe de qualquer pessoa, não queria ser expulsa por causa do meu cheiro.

Quando aquela tela se iluminou, meu coração disparou, eu quase não pude acreditar, era mágico e enorme, eu simplesmente amei estar ali!

Toda vez que o cinema estava com poucas pessoas e o filme não era proibido para minha idade,  aquele senhor me deixava entrar.

Mas um dia aquele bom senhor, que me permitiu aprender uma nova forma de sonhar sumiu, nunca soube o que houve com ele, mas não permitiam mais minha entrada, nem sequer me deixavam pedir esmolas na porta do cinema, era sempre enxotada.

Tem (não sei se ainda tem) um Teatro ao lado do Cine Rex, não sabia o que era ou pra que servia, então fui perguntar à moça que estava na porta recebendo quem entrava.

-Tu sabe o que tem lá dentro? Tem filme igual ali (apontando para o cinema)?

-Nada que te interesse, e pare de me aperrear (chatear)

No teatro iam pessoas bem cheirosas e arrumadas, e passei muito tempo tentando imaginar o que havia ali, já que havia desenvolvido uma imaginação maravilhosa graças a leitura e filmes,mas não tive sucesso.

O monstro retorna para nossas vidas, ele alugou uma casinha para minha mãe, e nos colocou dentro, eu não me sentia segura lá e passava os dias na rua, andando, pedindo esmolas ou nadando no rio, sempre me deu muito prazer nadar.

Um dia vi ele conversando com meu irmão, ele tinha uma mania de fazer uma refeição completa (arroz,feijão, carne...) no café da manhã e meu irmão sempre ficava perto.

Quando estava sozinha com meu irmão, tirei a roupa dele e olhei no bumbum dele, para vê se estava machucado, mas o monstro nunca tocou no meu irmão, graças a Deus.

Fomos nadar no rio perto da casa, eu e meu irmão, estávamos brincando no raso já que ele não sabia nadar, quando ele simplesmente sumiu da minha vista, eu fiquei desesperada...(continuação em breve)





Turma da Mônica me ensinou a sonhar e muito mais

Leitura salvou minha vida
Não sei a origem da foto, se for o detentor dos direitos autorais só me
avisar que dou os créditos ou retiro se preferir, só entrar em contato, eu realmente amei essa foto.


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Se você está acompanhando meus posts até aqui, deve ter percebido que eu era uma criança infeliz, sem sonhos, sem esperança e sem motivos para sorrir, eu era completamente vazia, eu me sentia morta por dentro, continuei assim por algum tempo, nessa parte da história já estou com uns 11 anos mais ou menos e nessa idade algo começou a acontecer em minha vida.

Em um certo dia eu já havia conseguido bastante lanches para minha mãe e meu irmão, então andando pela praça sem pressa, e parei em uma banca que havia lá, na frente do Cine Rex, era uma banca de revistas usadas, até que meus olhos se deparam com a Mônica (Revistinhas Turma da Mônica), comecei a ler, com grande ânimo e entusiasmo (eu sabia ler desde os 06 anos, minha mãe me ensinou).

Aquela menina gordinha e dentuça era corajosa, ela não tinha medo de ninguém, naquele mundo das revistas haviam "pessoas" de todas as formas, cores e jeitos.


Eu simplesmente esqueci da vida, passei o resto do dia devorando revistinhas, e só saí quando o senhor, dono da banca fechou.


Fui correndo para minha mãe, contar o mundo novo que eu havia conhecido, levei uma surra por que passei horas "sumida".


Aquilo virou rotina, eu fiquei viciada em ler, nada me fazia parar, nem mesmo as surras que ás vezes se tornavam maiores quando eu esquecia de trazer comida e ficava perdida na leitura.


Graças a minha mãe que me deixou de herança o saber ler e escrever pude com Mauricio de Souza (criador da Turma da Mônica), aprender e viver experiências maravilhosas, com a Turma da Mônica eu conseguia entrar em um mundo só meu, onde muitas e muitas vezes se tornou meu refúgio e onde aprendi a sonhar e ter esperança.

Lembro como se fosse hoje, o monstro se aproximou, me puxou pelo braço e queria me levar para o prédio onde ele me torturava, neste dia eu gritei e comecei a chutar ele, ele ficou espantado, eu em todo esse tempo que ele abusou de mim, jamais, uma única vez havia conseguido reagir, eu ficava paralisada e não conseguia me mexer, mas dessa vez eu lembrei da coragem da Mônica e mesmo sem nenhum Sansão eu consegui me defender.


Ele me soltou, ficou com medo de um escândalo, disse para pessoas que passavam perto e olhavam que era meu pai e que eu era doida igual a mãe.


Eu não contei para ninguém, por que nem havia ninguém para quem pudesse contar, mas toda vez que ele chegava perto eu conseguia correr e isso já era uma grande vitória para mim.


Quando eu estava nas ruas, pedindo, ou mesmo na banca de revistas, alguns outros monstros mostravam as garras, me chamavam para ir a tal lugar que me davam isso ou aquilo, que se eu fizesse isso ou aquilo ganharia tal coisa, mas no maravilhoso mundo da leitura, aprendi como fugir e nenhum desses monstros me tocou, aprendi a me cuidar, aprendi a ficar longe de drogas que isso fazia mal, sei que parece incrível, mas ler me ajudou mais do que você possa imaginar, passei a ler muitas outras revistinhas e era maravilhosa aquela sensação de estar naquele outro mundo fantástico, o maravilhoso mundo da imaginação e sonhos.


Então um dia um cliente reclamou para o dono da banca do meu cheiro, que deveria ser muito forte, porque eu não usava escova de dentes, nem shampoo,sabonete.


Tomávamos banho umas 03 vezes por semana no rio, com sabão, o mesmo que usávamos para lavar a roupa, mas o morador de rua tem um odor que parece que fica impregnado na alma de tão forte, e sempre que sinto esse cheiro sempre lembro da minha mãe.


Bom voltando à banca, então fui proibida de entrar lá, saí chorando baixinho, a dor de perder meu mundo dos sonhos era enorme.


Haviam outras bancas na praça, mas eram de revistas novas e moradores de rua não eram bem vindos, como não são em lugar nenhum, mas havia uma banca que eu podia entrar, o dono era muito gente boa, apesar de ser amigo do monstro, o Sólon, só tinha a cara de bravo, mas tinha um bom coração, eu de vez enquanto entrava lá para ler, mas não me sentia bem e a maioria das revistas vinham lacradas em sacos, como eu odiava aqueles sacos.

Então foi aí que conheci minha outra paixão... ( Continuação Aqui)

O meu teto é as estrelas.

Imagem Luiz Vaz . Se imaginarem essa menina de
cabelos cacheados  e mais escuro, parecia bastante comigo

                                                                   Post Anterior Aqui


Estávamos ali, sentados na praça Dom Pedro II, eu , minha mãe  que estava com Verônica no colo e meu  irmão Rodrigo ao lado, as horas passavam e minha mãe não tinha ação, na maioria das vezes seu olhar era distante, meus irmãos choravam com fome e minha barriga também começou a roncar, então vi que logo mais à frente tinha uma lanchonete, que vendia caldo de cana e pastéis, as pessoas jogavam no chão os restos e eu comecei a catar todos e beber os restos dos copos que ficavam no balcão, até ser expulsa por um funcionário.


Levei o que consegui pegar para minha mãe e irmãos, mas minha irmã tinha dificuldade de comer, não era acostumada, então peguei ela no colo e fui pedir dinheiro as pessoas, para comprar algo para ela beber.


Assim eram meus dias, pedindo esmolas e catando restos de comida,  aquilo virou rotina e quando não tinha nada no chão eu procurava na caçamba de lixo,  tomávamos banho no rio Parnaíba, próximo ao Troca Troca, nele eu lavava nossas roupas e ficávamos na água até secar, coisa que não demorava já que o sol em Teresina é extremamente quente.


Dormíamos no chão, em  papelões, lá não fazia frio, quando chovia procurávamos prédios com  a parte da frente coberto ( tipo toldos).

Somente eu pedia esmola, o Rodrigo era muito pequeno e minha mãe vivia no mundo da lua, eu que trazia comida, o pouco dinheiro que conseguia também era para comida, muito raramente sobrava para comprar alguma roupa.


Sentir o olhar de nojo, desprezo ou medo quando eu aparecia machucava muito, eu jamais roubei alguém, nem nada, mas quando fui pedir esmolas para um casal que a moça puxou rapidamente a bolsa para si e o homem me enxotou dali aos berros e me empurrando, não teve como não chorar, eu tinha 09 anos, não conseguia entender como alguém tinha medo de mim.


Os piores dias eram no domingo, tudo abria somente no período da tarde, então ficávamos sem comer até tarde.


Então um dia, eu voltava toda feliz, correndo para levar aos meus irmãos e mãe um monte de comida que havia ganhado de um senhor que era dono de um restaurante, eu gelei, não consegui me mexer, o monstro estava ali na frente da minha mãe, com minha irmã no colo, eu pensei em correr, mas minhas pernas não me obedeciam, eu estava completamente em pânico.


Ele passou por mim, com minha irmã no colo e a levou, naquele momento não fiquei sabendo, mas depois descobri que ele levou ela para "dar" para uma família que eram cumpadres dele, essa foi a última vez que vi minha irmãzinha.


Minha mãe em alguns momentos chorava e perguntava por ela, eu não sabia o que fazer.

De vez enquanto o monstro aparecia, eu sempre  ficava congelada, não tinha reação, algumas vezes me puxava pelo braço e me "castigava" em prédios abandonados e me ameaçava, ameaçava matar minha mãe e irmão na  minha frente e depois me matar.


 Minha mãe  engravidou novamente dele, teve um menino de nome Adir Filho, era um menino lindo e cheio de vida, mas que logo foi tirado da minha mãe pelo monstro e entregue para a  mesma família que adotou Verônica, mais um irmão que nunca mais iria vê.



Descobri que em um quartel , serviam café com leite e pão massa grossa(pão francês ou pão de sal) com manteiga pela manhã para moradores de rua, foi o melhor café que já tomei em toda minha vida(sabor parecido com nescafé com leite, mas só parecido, aquele era muito melhor), quando chegávamos tarde  e não tinha mais, eu sempre chorava, eu simplesmente amava aquele café, nunca tinha bebido algo tão delicioso.


Os outros moradores de rua não mexiam com a gente, ninguém me incomodou neste tempo, as pessoas de "bem" eram as que me faziam sofrer, com seus olhares cruéis, desprezo ou outras atitudes que machucavam muito, eu não me sentia um ser humano, me sentia um lixo, não tinha tido ainda contato com drogas, pois não chegava perto dos grupos que usavam, as pessoas que moravam na praça não deixava ninguém mexer com a gente, eu me sentia protegida lá, pelo menos quando o monstro não aparecia.


Eu era uma menina descabelada, suja, descalça e que não tinha motivos para sorrir, até que um dia (continuação Aqui)

A despedida de um anjo


Se você está acompanhando o blog, deve ter percebido que escrever o post anterior não foi fácil, mas nada na minha vida foi fácil, talvez por isso eu dê tanto valor a ela e seja tão grata por cada dia a mais. Este não será mais fácil, mas será o post onde poderei fazer algo que nunca fiz, me despedir do anjo que fez parte da minha vida.



Eu havia passado o dia sozinha com meus irmãos, estava entre 08 e 09 anos, ainda não havia pisado em uma escola, mas já sabia ler e escrever razoavelmente bem, havia melhorado bastante minha leitura graças a revistinhas em quadrinhos, eu amo até hoje a turma da mônica.

Bom voltando ao relato desse post minha mãe estava com minha irmã Valéria nos braços, ela havia dormido o dia inteiro e estava com o corpo cheio de manchas estranhas, eram enormes, minha mãe mandou eu encher a banheira de água, ela tirou a roupa da minha irmã as pressas e colocou ela na banheira, ela jogava água sobre aquele corpinho inerte e chorava, seu choro ia ficando cada vez mais alto, eu não entendi bem porque minha irmã não acordava, ela não estava doente (antes), não tinha acontecido nada de diferente. Minha mãe abraçou forte minha irmã, chorava cada vez mais alto, então ela foi para a porta da casa, ficou debaixo de uma árvore, com minha irmã no colo e começou a "brigar" com Deus.

- Por que tirou o meu bebê de mim? Ela era só um anjo, eu quero minha filha de volta, ela é minha princesinha, por favor trás minha filhinha de volta.

Minha mãe falou mais um monte de coisas que não consigo lembrar, porque a única coisa que senti foi meu coração partir, eu sentia uma dor enorme no peito ao ver minha mãe sofrer daquele jeito, parecia que alguém estava apertando meu coração, eu chorava e pedia à Deus para trazer minha irmã de volta, eu dizia que não iria mais achar ruim cuidar dela, eu faria a mamadeira com todo amor. Só queria que minha mãe não sofresse mais que aquela dor fosse embora e que eu pudesse abraçar minha irmãzinha.

Mas minha irmã não voltou e em poucas horas a casa estava lotada
Eu nunca tinha visto tanta gente no mesmo lugar, eu não conhecia aquelas pessoas.
Alguém chamou a polícia, eu não sabia o que a polícia fazia ou para quê servia, ela serviu para levar minha mãe, algemada.


Alguém havia dito que minha mãe era louca e matou a filha, não adiantou eu dizer várias vezes a mesma história, minha irmã passou o dia dormindo, quando minha mãe chegou tentou acordá-la, deu banho e ela não acordou, eles não acreditaram e a levaram, para eles minha mãe tinha matado minha irmã afogada.


Eu e meus irmãos (Verônica e Rodrigo) fomos levados cada um para a casa de um vizinho, o monstro estava viajando ainda.
Não lembro do enterro, não lembro de ter me despedido da minha irmã.
Não consigo lembrar quanto tempo se passou, se foram dias, semanas, mas sei que não foi mais do que 02 meses.
Fizeram uns exames na minha irmã e descobriram que minha mãe não foi a culpada, ela teve algum problema de saúde, alguém me falou o nome da doença, mas eu não consigo lembrar.


Ninguém teve culpa, mas eu me sentia culpada por não ter acordado ela, por muitos anos acreditei que a culpa era minha.
Então minha mãe foi solta, ela não havia ficado na cadeia e sim em um manicômio, mas como foi provado que era inocente, a deixaram em liberdade.

Assim que foi solta, ela veio nos buscar, mas na casa que morávamos não nos aceitaram (mesmo o monstro antes de viajar deixar alguns meses pagos), fomos expulsos somente com a roupa do corpo, pois a notícia do assassinato todos ficaram sabendo, mas da inocência não.
Eu, minha mãe, meus 2 irmãos pequenos estávamos sem ter pra onde ir e minha mãe parecia no mundo da lua, fomos para Teresina e sentamos em uma praça (continuação Aqui)

Ps: Valéria fico feliz que tenha existido em nossas vidas, você era uma criança linda e realmente parecia um anjo, sei que está em um lugar lindo e fico feliz e isso aquece meu coração, sempre irei te amar.

Abuso, medo e trauma de uma infância roubada.



Este com certeza é o post mais difícil de escrever, eu estava entre os 06 e 07 anos de idade e sem sombra de dúvidas o que aconteceu comigo deixou marcas para o resto da minha vida, que você irá perceber conforme eu for relatando.




Como superar abuso sexual
Imagem http://www.carinhodeverdade.org.br/


Como disse no post anterior ( aqui ), minha mãe estava morando junto com um homem, ele parecia ser a solução dos nossos problemas, teríamos uma família feliz, pai, mãe e irmãozinho, quando ele chegava de viagem com muitos doces era o paraíso no céu, até o dia em que ele resolveu demonstrar seu "amor" de pai.


Em uma tarde, minha mãe tinha saído para ir ao hospital levando meu irmão para tomar vacina, meu padrasto estava deitado na rede e me chamou para deitar com ele, e começou a me tocar, eu me senti mal e pedi para ele parar, ele disse:


- Eu sou seu pai agora e te amo muito,isso que tô fazendo é para mostrar que te amo.


- Não conta nada para sua mãe é nosso segredo viu?



Eu não entendia o que estava acontecendo,só sabia que não gostava.


Eu chorei, pedi para ele parar, estava me machucando, ele me mandou calar a boca e disse que se eu contasse para alguém ia me bater,  se eu contasse era porque era malcriada e uma menina malcriada tem que apanhar para aprender.


Quando minha mãe chegou eu estava em um canto do quarto, chorando baixinho e com medo, ela sequer percebeu.


Eu não desgrudava da minha mãe, ela me mandava fazer as coisas e eu simplesmente não conseguia sair de perto dela.


Ele viajou, eu fiquei feliz demais, os dias que ele esteve fora foram maravilhosos, eu podia correr e brincar pela casa, não tinha medo. Então ele voltou, com seu baú cheio de doces, e não corri para recebê-lo, não consegui tocar em um doce sequer.


Ele pediu para minha mãe ir fazer compras em Teresina(cidade ao lado), eu grudei na minha mãe e chorei para ir junto, ele dizia que eu estava ficando mimada e que não era para fazer minha vontade, eu gritei, implorei, ela me deu uma surra, eu fiquei toda marcada, estava toda dolorida e ela saiu, me deixando sozinha com aquele monstro, ele me chamou, disse que eu era uma menina muito teimosa, que merecia ser castigada, pensei em correr, mas não consegui me mexer estava com muito medo.


Ele foi onde eu estava, me pegou no colo e me colocou em cima de uma esteira de palha, não consigo lembrar detalhes do que aconteceu, lembro em flashes de memória, eu chorando, ele tapando minha boca, ele em cima de mim.


Quando minha mãe chegou, eu estava muito mal na rede, tremia e tive febre, ele disse que a culpa era dela, por causa da surra que ela me deu. Ela acreditou, me deu uns chás.


Não conseguia entender por que aquilo estava acontecendo comigo, eu fiz de tudo para não ser uma menina "teimosa" de novo, fazia tudo que minha mãe mandava, e quando ele viajava eram meus únicos momentos em que me sentia um ser humano. Mas ele sempre voltava e sempre me castigava, não sou capaz de descrever o que ele fazia comigo nem o que me mandava fazer, muito menos o que me dizia, eu não consigo, mas sempre achava que tudo aquilo era culpa minha.


Minha mãe engravidou dele, e ele sempre dizia que se eu contasse para alguém ele matava minha mãe, meu irmão e eu.  Minha vida era recheada de pavor e ninguém para pedir socorro.


Então o tempo foi passando, eu não lembro de um único sorriso que dei neste período, nenhum momento de felicidade.


Lembro que a partir dos 08 anos, comecei a ter pavor de dormir, pois eu não era mais castigada "apenas" nos momentos que minha mãe saía, passou a ser a noite também, quando escurecia e estava no escuro do quarto o monstro sempre aparecia. Desejava morrer, viver era um inferno, eu só queria que alguém me salvasse.


Mas ninguém apareceu, minha mãe estava muito mal, ela começou a passar dias em um mundo só dela, falar coisas sem sentido com mais frequência, alternava dias de lucidez e fantasia e tinha acabado de ter gêmeas Verônica linda negra e Valéria linda branquinha.


O monstro fez uma viagem, dessa vez demorou muito, minha mãe passava os dias na rua andando e me deixava sozinha com as gêmeas e meu irmão, eu fazia as mamadeiras, dava comida, limpava a casa.


Então em um dia minha mãe saiu mais cedo ainda e durante o dia somente uma das gêmeas acordou , a outra continuava dormindo, eu achava maravilhoso por que assim tinha menos trabalho e mais tempo para brincar, sem dar a devida  importância ao fato da minha irmã não acordar, passei o dia cuidado da Verônica, a gêmea que acordou e do meu irmão Rodrigo, no fim do dia dei mamadeira para a Verônica e comida para o Rodrigo, dei banho nos dois e coloquei para dormir.


Eles dormiam rápido quando eu balançava a rede, então escureceu e minha mãe não chegava, não tinha mais querosene para a lamparina e eu tinha medo do escuro, fiquei na porta de casa, a lua estava cheia e clareava a rua, então minha mãe chegou, perguntou como estava tudo, eu disse que meus irmãos estavam dormindo e que a Valéria, não tinha acordado o dia todo, não tinha dado nenhum trabalho, por que dormiu o dia todo, minha mãe foi olhar as crianças, pegou a Valéria no colo e percebeu que ela estava com manchas pelo corpo todo...(continuação aqui)

Minha mãe doente e a culpa me persegue


Olá, quero agradecer sua presença neste blog, sua visita me incentiva a continuar escrevendo e contando um pouquinho mais da minha vida, dores e amores. 

Abuso infantil


Minha intenção é que eu possa de alguma forma ajudar pelo menos uma pessoa, que passou ou está passando por algo parecido e que essa pessoa entenda que sofrimentos na vida são inevitáveis e mesmo tendo passado por momentos terríveis, não sou uma pessoa infeliz nem revoltada, muito pelo contrário.

Espero realmente poder ajudar alguém, essa é minha intenção.



Como disse no post anterior ( aqui ), minha mãe depois do sério desentendimento que teve com a vizinha, nunca mais voltou a ser a mesma, ela andava estranha, ás vezes não falava coisa com coisa mas isso não era todo tempo, naquela época eu não entendia, mas minha mãe já estava começando a ter problemas mentais, acredito que por causa da quebra do resguardo, mas não sei dizer se ela já tinha esse problema antes, pelo fato de ser muito pequena, eu estava com 06 anos, não conseguia perceber certas coisas, algumas atitudes vista por mim na época como normal hoje percebo que não eram.


Então aconteceu algo que fez com que eu perdesse o carinho da minha mãe, não sei se foi esse fato que ocorreu ou a evolução da doença, minha mãe nunca foi muito carinhosa comigo, mas desde esse dia nunca mais ouvi uma palavra de carinho dela, nem tive sequer um abraço.



Era um dia chuvoso, Teresina não era de chover muito, mas acontecia rsrs , eu estava catando gravetos para acender um fogareiro, estava difícil porque a maioria dos gravetos que eu encontrava estavam úmidos e eu não conseguia fazer com que pegassem fogo, depois de bastante tempo consegui, minha mãe gritava para que eu andasse rápido, era o que eu estava tentando. 


Então em meio aos gritos da minha mãe, a filha da vizinha que implicava com minha mãe passou e me xingou (ofendeu) e xingou minha mãe (para mim), peguei a primeira coisa que vi na minha frente, e deu uma pancada nela. Ela foi chorando para casa, era mais velha que eu uns 2 anos, mas eu senti tanto medo porque ela tinha uma irmã "grande" , fiquei apavorada, corri para dentro de casa, pedi papel para minha mãe e disse que ia no mato, não tínhamos banheiro em casa, então era comum fazer as necessidades no mato, desde aquele dia toda vez que fico muito nervosa sinto dor de barriga.


Se passou algum tempo, o que pra mim parecia um século, pode ter sido não mais que poucos minutos. Eu ali tremendo e escondida no mato, então ouvi gritos e uma barulheira enorme, fui devagar, meu coração disparava, mal conseguia respirar, então vi uma cena terrível, a mãe da menina, as tias e a filha( a irmã grande), estavam todas batendo na minha mãe enquanto uma vizinha segurava meu irmão pequeno no colo.


Ninguém fazia nada para separar, eu corri, tentei morder a mãe da menina e levei um murro e voei longe, lá do chão, na lama eu não conseguia entender por que ninguém ajudava minha mãe que lutava bravamente, eu me levantei e levei mais um soco, então um homem afastou a briga, gritou com a mulher que me bateu e mandou eu e minha mãe entrarmos, minha mãe pegou o meu irmão, ela estava toda machucada, eu chorava muito, tentando não fazer barulho para não irritar minha mãe. Vê minha mãe sofrer aquilo por minha causa, doía muito, doía muito não ter forças para defender ela, doía muito não conseguir fazer nada e saber que era minha culpa.


Por causa de muitos desentendimentos com vizinhos e pelo problema de saúde da minha mãe que só se agravava, ela decidiu mudar de casa, nunca soube o que aconteceu com a casa que meu avô deu para ela, ela passou a pagar aluguel em outro bairro da cidade de Timon- MA, durante um tempo(uns 3 meses), a vida correu normalmente.


Então minha mãe conheceu um homem, com quem fomos morar , eu, minha mãe e meu irmão.


Era um homem negro, gordo e bastante barrigudo, todos os vizinhos adoravam ele e ele adorava crianças, ele viajava muito, não consigo me lembrar em que ele trabalhava e quando voltava trazia um baú cheio de doces coloridos e deliciosos, ele sustentava a casa e minha mãe não precisava mais trabalhar, mesmo minha mãe fria e distante, tudo parecia que iria se encaixar.



Então em uma tarde,minha mãe tinha saído para ir ao hospital levando meu irmão para tomar vacina, meu padrasto estava deitado na rede e me chamou para deitar com ele e começou a me tocar, eu me senti mal e pedi para ele parar, ele disse:


- Eu sou seu pai agora e te amo muito, isso que tô fazendo é para mostrar que te amo.

- Não conta nada para sua mãe é nosso segredo viu?

Eu não entendia o que estava acontecendo,só sabia que não gostava...(
continuação aqui)


O início: Deixando Brasília, a chegada em Teresina e um novo membro na família!





Vou começar a contar minha história pela parte mais remota da minha lembrança, os 5 anos de idade.

 Eu era uma garotinha falante (o que não mudou muito rsrs) , sorridente e um pouco solitária, já que não tinha irmãos, morávamos eu e minha mãe em Brasília-DF, na cidade satélite de Cruzeiro Novo (em Brasília não tem bairros e sim cidades satélites), a primeira lembrança mais forte é eu estar andando de velocípede embaixo do prédio, estava chovendo,e eu estava muito feliz, pois havia acabado de ganhar aquele lindo velocípede de um morador da quadra (minha mãe trabalhava como zeladora) e ao ganhar o presente senti uma sensação tão maravilhosa que mal posso descrever, eu mal sabia que minha vida de inocência e felicidade estava tão próxima do fim.





 Minha mãe tinha asma e o frio de Brasília-DF só piorava sua saúde, então ela decidiu voltar para sua terra natal Teresina-Piauí, juntou o pouco de dinheiro que conseguiu para as passagens e fomos embora do lugar que eu conhecia como lar, nada mais era do que um quartinho embaixo do prédio, que mal cabia a beliche, um fogão, uma mesinha e um minúsculo banheiro, mas era tudo que eu conhecia como lar, minha melhor lembrança da infância, quando não havia traumas nem dores, naquela época meu maior sacrifício era pegar meu copo de café com leite na mesa.


 A viagem para Teresina foi longa, vários dias em um ônibus, o que se tornou uma aventura(detestei a parte de ficar em uma fila enorme para tomar uma vacina com uma agulha gigante).

 Chegamos, naquela cidade tão diferente de Brasília, uma cidade quente(muito quente), com muitas casas baixas, não vi prédios, como eu estava acostumada a ver  e então pegamos outro ônibus e fomos para uma cidade chamada Timon-MA ,chegamos em uma casa humilde, de porta de palha, casa de barro, de lá saiu um homem muito alto(para uma criança de 5 anos,era um gigante) ele era  bastante negro e tinha um rosto muito sério, sofrido, me escondi atrás da minha mãe, então ela disse:

- Minha filha este é seu avô, meu pai.
Ela me explicou que iríamos morar uns dias com ele até ela encontrar um emprego e podermos morar em outra casa.
Meu avô Luiz Ferreira era uma pessoa calada, um homem que foi abandonado pela esposa, minha avó Neusa (que nem eu e nem minha mãe chegamos a conhecer) e criou a filha sozinho, ele era rígido na criação da minha mãe, nunca deixou ela ir á escola, mas ele mesmo a ensinou ler e escrever(e muito bem).


 Logo minha mãe arranjou um emprego como faxineira em casa de família, meu avô usou umas economias e comprou uma casinha humilde para minha mãe(já que eles não se davam muito bem na convivência), quando mudamos para a casinha que ele comprou, eu sentia falta dele, ele tinha um cheiro engraçado e fez uma vassoura para mim pequena(essa era a profissão dele, fazer vassouras de palha), aquela vassoura se tornou meu xodó por muito tempo.


 Então estávamos na casa "nova", a porta não era de palha, era de madeira, aquelas que abrem em duas partes,parte de cima e de baixo, o teto era de palha e tinha muitos buracos e a parede de barro, mas logo que mudamos e saíamos nas ruas para conhecer o lugar, eu percebi que os vizinhos olhavam estranho para nós, eles cochichavam quando passávamos, eu não conseguia entender o preconceito que havia na época por causa da minha mãe ser mãe solteira. 

 Quando minha mãe não estava fazendo faxina na casa de  alguma família(eu junto brincando em algum cantinho) ela me ensinava a ler e ensinou muito bem, quando completei 6 anos já sabia escrever e ler.

 Mesmo minha mãe trabalhando bastante, passávamos muitas dificuldades e a pior de todas era a fome, um dia eu estava com tanta fome que saí lambendo todos os comprimidos da minha mãe(eram  vermelhos e docinhos na parte de fora), quando ela chegou e viu todos os comprimidos no chão me deu uma surra, eu fui dormir com fome e dor.

 Lembro de um dia que choveu bastante(em Teresina não era frequente) e tivemos que ficar as duas debaixo da mesa, por que tudo molhava.

Então um belo dia a nossa rotina mudou,começamos a sair,eu minha mãe e um homem. 
Minha mãe tinha começado a namorar, me dizia que eu teria um pai(não conhecia o meu).
Em um desses passeios, estávamos em uma praça, eu falei:

- Mamãe estou com fome.
- Minha filha vá brincar ali no banco.
Então em um ato grandioso o namorado da minha mãe comprou um BALÃO para mim e me mandou ir brincar pra lá.
 Eu lembro que minha barriga doía muito, eu chorei quietinha(afinal não queria apanhar), nesse dia comi um pão somente, antes de dormir, minha mãe nada comeu.

Algumas semanas depois  paramos de sair para passear e eu parei de ver o namorado dela ir lá em casa, minha mãe vivia chorando, ela andava muito triste, falavam mal dela e a ofendiam (o namorado dela era casado,e lhe havia abandonado,só fui descobrir e entender isso depois ) e pior ela ficou grávida, só chorava e mal tinha forças para ir trabalhar, ela teve uma gravidez muita difícil.

Então o grande dia chegou, eu fiquei na casa de uma conhecida dela e quando ela voltou, trazia nos braços um "serzinho" pequeno, chorão e que tinha uma coisa estranha no meio das pernas.

Minha mãe tinha poucos dias que havia chegado em casa com o bebê no colo, um menino e então logo tudo iria piorar, os vizinhos eram cruéis com ela e em um dia terrível, uma vizinha discutiu com minha mãe(não sei por que), chamava ela de quenga(o que seria o mesmo que prostituta) e então jogou uma chaleira de água quente nela, minha mãe ficou mal e acredito que tenha quebrado o resguardo(período de até 02 meses depois do nascimento de uma criança), pois já começava a falar coisas estranhas, começando a ter problemas mentais...(continuação aqui)

Minha vida em um blog!



 Já havia contado uma boa parte da minha vida em outro blog (minha vida em um blog- Anna Vlis), onde por falta de tempo, decidi fechar, vou postar aos poucos aqui. Fiquei em dúvida se devia realmente contar, postar, mostrar para as pessoas o que passei, afinal preciso estar preparada para os julgamentos e eles sempre vem.


 Quero contar minha história, na esperança de que possa ajudar alguém que passou pelo mesmo que passei, estupro, abandono,morar nas ruas ou algo assim, pois apesar dos pesares, sou alguém que graças a Deus, está muito bem, ficou algum resquício, claro, mas muito pouco, a desconfiança talvez seja o maior deles. Me considero feliz, tenho dívidas (quem não tem), e problemas, mas realmente me considero feliz, sou muito grata a Deus pela minha saúde e por todas as conquistas que ele me proporcionou e principalmente me proporciona! 


 Aqui como disse acima, vou contar minha vida, o que passei e também a minha luta (batalha travada) com a balança rsrs. Espero que goste e possa compartilhar comigo sua opinião e história de vida!


O Cronograma do Blog será assim, post relacionado a minha história,  todo Segundo Domingo do Mês e o Último (desculpem, por causa da Faculdade e meus outros blogs não estou conseguindo cumprir esse prazo, posts novos sempre que der). E demais posts sem data determinada ainda.